Ideal Axadrezado #020 - Está nas tuas mãos.
Há umas semanas publiquei um texto onde dizia que a resignação é exactamente o que todos os que nos trouxeram até aqui mais querem. Que Boavisteiros calados são Boavisteiros que não incomodam. E que os estatutos prevêem um mecanismo claro para quem quer deixar de estar calado.
Esse mecanismo já tem forma. Chama-se unidospeloboavista.pt.
É uma petição. Não é um manifesto. Não é um desabafo. Não é mais um post de indignação nas redes sociais. É um requerimento formal, com base estatutária, para obrigar a Mesa da Assembleia Geral a convocar uma Assembleia Geral Extraordinária. O artigo 67.º, n.º 2 dos Estatutos do Boavista FC é claro: um quinto dos sócios efectivos, com as quotas em dia, pode exigir essa convocação. A Mesa não pode recusar. É um direito, não um favor.
A ordem de trabalhos tem três pontos. Três. Simples, concretos, sem retórica:
Primeiro: destituição da direção. A mesma direção que foi afastada da gestão financeira pela administradora de insolvência a 18 de fevereiro e que, cinco semanas depois, ainda não se demitiu. Que falhou todos os pagamentos e dependeu apenas de donativos externos. Que prometeu setenta medidas na sua candidatura e falhou praticamente todas. Que se juntou a um conselheiro corrido de Espanha. Que desapareceu quando mais precisávamos. Que, quando finalmente foi confrontada por um texto num blog, respondeu com uma mensagem privada no Messenger em vez de falar com os sócios.
Segundo: nomeação de uma comissão administrativa transitória. Não é uma candidatura. Não é um golpe. É uma ponte. Um conjunto de sócios a designar com mandato limitado e objectivos claros: estabilizar as modalidades, negociar com os credores com uma cara que ainda tenha credibilidade, garantir que o clube funciona no mínimo, e convocar eleições num prazo definido.
Terceiro: mandato para essa comissão representar o clube perante a administradora de insolvência, a comissão de credores e o tribunal.
Sei que há quem pergunte: "Quem está por trás disto? E quem é que quer ir para o poleiro?" São perguntas legítimas tendo em conta o nosso histórico de dirigentes.
Mas confundem duas coisas que não têm de estar ligadas. Quem lança uma petição para iniciar um processo estatutário não precisa de ser a mesma pessoa que depois assume funções. Isto não é uma candidatura. Não tem programa eleitoral. Não tem nomes para cargos. Não tem promessas de regresso à Primeira Liga em cinco anos.
É um requerimento para que os sócios possam reunir e decidir. Só isso. Se a AG aprovar a destituição e a nomeação de uma comissão administrativa, serão os sócios presentes nessa assembleia a nomear quem a integra, de entre quem se voluntariar e tiver competência para o fazer. O poder está nos sócios. Sempre esteve. É só preciso que o exerçam.
E estão a exercê-lo. Em pouco mais de 24 horas, 181 Boavisteiros assinaram. Cento e oitenta e um. Sem campanha publicitária, sem patrocínios, sem estrutura. Apenas sócios que decidiram que já chega.
O objectivo inicial era 250, para garantir margem sobre os 20% exigidos pelos estatutos, porque nem todas as assinaturas serão válidas, há sempre quem tenha quotas em atraso sem saber, há sempre quem erre o número de sócio. Mas 250 não deviam ser o tecto. Deviam ser o mínimo. Quanto mais assinaturas, menos espaço para desculpas. Quanto mais nomes, mais difícil é para a Mesa da AG invocar uma razão para não convocar. Quanto mais Boavisteiros, mais claro fica que isto não é um capricho de meia dúzia. É a vontade de uma comunidade inteira que se recusa a morrer em silêncio.
Se tens as quotas em dia, assina. Demora dois minutos. Se não tens, regulariza e depois assina. Se conheces alguém que é sócio e ainda não sabe disto, partilha. Não é preciso concordar com tudo o que foi escrito. É preciso concordar com uma coisa: que os sócios têm o direito de decidir.
181 em 24 horas. Faltam tão poucas. Não pares agora.

Preto no Branco. P'la Bandeira.

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