Ideal Axadrezado #008 - Dor em Moreira e a Camisola de Luís Carlos 97/98 vs Shaktar

Penálti fatal e desinspiração colectiva: um rude golpe à esperança em Moreira de Cónegos
Praticamente acabou. Se ainda restava uma luz ténue de esperança na madrugada deste domingo, ela extinguiu-se quase definitivamente nos 90 minutos disputados em Moreira de Cónegos. O nosso Boavista, cada vez mais solitário na cauda da tabela, sucumbiu por 1-0 diante do Moreirense num jogo que poderia ter sido um ponto de viragem, mas acabou por ser mais um episódio desesperante nesta temporada para esquecer.
Numa jornada em que todos os nossos adversários directos perderam, desperdiçámos a oportunidade de ouro para encurtar distâncias. E o pior? Perdemos sem conseguir construir qualquer lance de perigo real, sem identidade, sem alma. Um penálti cometido por Salvador Agra, convertido por Alanzinho aos 31 minutos, e uma absurda expulsão do mesmo Agra na segunda parte selaram o nosso destino.
A táctica desinspirada e as experiências fatais
O sistema desenhado por Lito Vidigal revelou-se uma vez mais confuso e ineficaz. Iniciámos com uma aparente linha de cinco defensiva que rapidamente se transformou num 3-4-3, com Abascal curiosamente posicionado como médio defensivo em certas alturas. Uma aposta táctica difícil de compreender, especialmente quando tínhamos no banco jogadores da qualidade de Seba Pérez, Miguel Reisinho e Joel Silva – jogadores capazes de dar critério à construção.
Nos primeiros 25 minutos, não conseguimos criar uma única jogada de perigo. O nosso futebol resumiu-se a passes laterais entre os centrais, seguidos de bolas longas para Diaby que, sem a velocidade de outros tempos, estava completamente isolado na frente. As tentativas de encontrar os nossos alas falhavam sistematicamente, e a pressão do Moreirense, bem organizada por Cristiano Bacci, forçava-nos a erros constantes.
Era visível a nossa fragilidade no meio-campo. O posicionamento de Abascal naquela zona, um central de origem, deixava lacunas enormes que rapidamente foram exploradas pela equipa da casa. Qualquer três passes consecutivos dos cónegos criavam situações de alarme na nossa defesa, como ficou provado aos 25 minutos, quando Luis Asué rematou para defesa providencial de Steven Vitória em cima da linha.
A resistência axadrezada acabaria por ceder aos 28 minutos. Numa jogada aparentemente inocente, Salvador Agra tocou com o braço na bola dentro da área - um penálti indiscutível que Alanzinho não desperdiçou. O golo abalou-nos psicologicamente, e só conseguimos uma reacção tímida através de Diaby aos 39 minutos, com um remate facilmente defendido por Kewin.
A expulsão que matou o jogo
Lito Vidigal tentou corrigir o erro táctico no intervalo, lançando Moussa Koné e Miguel Reisinho para os lugares de Vukotic e Ariyibi. Pouco depois, aos 52 minutos, apostou tudo no ataque ao retirar Ibrahima Camará para a entrada de Bozeník. Havia sinais positivos na nossa postura, mais vertical e objectiva.
No entanto, quando começávamos a equilibrar o jogo, veio o momento que destruiu qualquer esperança: aos 55 minutos, Salvador Agra, numa entrada imprudente sobre Leonardo Buta, viu inicialmente o segundo amarelo, que após revisão do VAR foi convertido em vermelho directo. Uma noite para esquecer do nosso experiente jogador, que com um penálti e uma expulsão comprometeu irremediavelmente as nossas chances.
Mesmo reduzidos a dez, mantivemos uma postura corajosa. Por incrível que pareça, não nos resignámos. Cada bola parada próxima do meio-campo resultava numa tentativa de chegar à área adversária, mantendo viva a chama, por mais ténue que fosse. Nos últimos momentos, ainda tivemos uma oportunidade através de Reisinho, aos 90+3, mas Kewin defendeu sem grandes dificuldades.
Destaques individuais: luzes e sombras
Vaclik pouco pôde fazer no penálti e mostrou-se seguro nas restantes intervenções. Nas bolas aéreas, demonstrou a personalidade que tem vindo a conquistar nos últimos jogos, comandando a defesa com autoridade.
No extremo oposto, Salvador Agra viveu uma noite para esquecer. Um toque imprudente com o braço na área e uma entrada desnecessária e violenta que resultou em expulsão directa. Um jogador com a sua experiência não pode comprometer assim a equipa num jogo tão crucial.
Abascal, deslocado da sua posição habitual, mostrou-se completamente perdido a meio-campo. Um erro táctico de Lito Vidigal que custou caro, expondo as fragilidades do jogador fora da sua zona de conforto.
O apoio incansável nas bancadas
Se há algo que não merece críticas é a nossa massa adepta. Deslocaram-se centenas de boavisteiros a Moreira de Cónegos, cantando incansavelmente durante os 90 minutos. Mesmo quando o resultado era desfavorável, mesmo com um jogador a menos, as vozes axadrezadas nunca se calaram.
É este espírito que define o Boavista e que deveria servir de inspiração para os jogadores. Infelizmente, o que vimos em campo foi uma equipa sem identidade táctica, sem soluções criativas, dependente de bolas paradas e sem capacidade para construir uma única jogada de perigo em ataque organizado.
O futuro sombrio que se avizinha
Com esta derrota, continuamos isolados no último lugar com apenas 15 pontos, a uma distância cada vez mais inultrapassável da linha de água. Faltam oito jogos e, matematicamente, ainda é possível a permanência. No entanto, o que vimos hoje foi uma equipa sem rumo, incapaz de aproveitar uma jornada em que todos os rivais directos tropeçaram.
A estratégia de Lito Vidigal tem-se revelado desastrosa. Desde a sua chegada, somamos apenas 3 pontos em 5 jogos, não marcamos um único golo de bola corrida e apresentamos um futebol que, com todo o respeito, faz lembrar os anos 90 pelo seu carácter directo e rudimentar. Ironicamente, jogávamos melhor com o plantel limitado de Bacci do que agora, com reforços de qualidade.
O próximo jogo, em casa contra o Gil Vicente, afigura-se como a quase derradeira oportunidade. Sem uma vitória nesse encontro, podemos praticamente começar a preparar a próxima temporada na segunda divisão - isto, se as dificuldades financeiras permitirem sequer a inscrição do clube.
A dor da derrota é imensa, mas o que mais magoa é saber que os adeptos merecem muito mais do que esta equipa está a oferecer. Uma noite negra para o Boavista, que parece cada vez mais resignado ao seu triste destino.
Camisola da Semana: A Relíquia de Shakhtar x Boavista - Luís Carlos 1997/1998
Esta semana inaugura-se uma nova rubrica: "Camisola da Semana", onde irão ser apresentados equipamentos de jogo históricos utilizados em jogos importantes, para relembrar os jogadores que os vestiram e as suas prestações nessa época. Fiquem atentos às próximas edições!
E para começar com chave de ouro, apresentamos uma verdadeira peça de colecionador - a camisola alternativa número 10 utilizada pelo médio brasileiro Luís Carlos na Taça das Taças, durante o confronto europeu contra o Shakhtar Donetsk na temporada 1997/1998.

Esta relíquia representa um período importante da história do clube, quando o Boavista competia regularmente nas competições europeias, levando o xadrez português a diversos cantos da Europa. O equipamento, fabricado pela Diadora, exibe o característico padrão axadrezado nas mangas e laterais (apesar de ser o equipamento secundário), o emblema dourado do clube no peito, e o patrocínio principal do Montepio Geral.
Um Médio Versátil ao Serviço do Xadrez
A temporada 1997/1998 ficou marcada na história do Boavista como um período de consolidação da equipa entre os grandes do futebol português. Entre os protagonistas daquela campanha, destacou-se o brasileiro Luís Carlos, médio que atuou em 30 jogos e contribuiu com sua versatilidade e dedicação ao projeto axadrezado.
Números que Contam uma História
Ao analisarmos as estatísticas de Luís Carlos naquela temporada, podemos observar:
- 30 jogos disputados no total (15 vitórias, 7 empates e 8 derrotas)
- 3 gols marcados (média de 0,10 gols por jogo)
- 21 vezes como titular
- 9 vezes como suplente utilizado
- 1820 minutos em campo
Na Liga Portuguesa, sua maior contribuição, Luís Carlos participou em 24 partidas, ajudando o Boavista a conquistar 13 vitórias, 5 empates e apenas 6 derrotas. Sua capacidade de adaptação o fez peça importante tanto como titular quanto como opção vinda do banco.
A Aventura Europeia
Entre os momentos mais significativos da temporada de Luís Carlos, destaca-se a participação na campanha da Taça das Taças, competição europeia onde o Boavista enfrentou o poderoso Shakhtar Donetsk. Nos dois jogos contra a equipa ucraniana, o brasileiro teve a oportunidade de vestir a histórica camisola número 10 que apresentamos hoje, um emblema da tradição do clube nas competições europeias.
No primeiro jogo, disputado no Estádio do Bessa (resultado de 2-3 para os ucranianos), Luís Carlos atuou durante os 90 minutos completos. Na partida de volta na Ucrânia (empate 1-1), novamente com a camisola 10, o médio brasileiro demonstrou a sua técnica e capacidade de adaptação ao futebol europeu.
Outros Momentos Marcantes da Temporada
Além da campanha europeia, Luís Carlos viveu outros momentos marcantes com a camisola axadrezada na temporada 1997/1998:
- A vitória na Supertaça contra o FC Porto por 2-0, onde entrou aos 15 minutos de jogo
- A expressiva vitória por 6-0 contra a Académica OAF, em janeiro de 1998
- A vitória contra o Benfica fora de casa por 2-1, em março de 1998
A sua capacidade de adaptação fez dele uma peça importante tanto como titular quanto como opção vinda do banco, revelando-se um jogador de confiança para as diferentes situações de jogo.
Um Brasileiro no Bessa
Como muitos brasileiros que construíram carreira em Portugal, Luís Carlos trouxe consigo a técnica e a criatividade características do futebol brasileiro, adaptando-se ao estilo mais físico e tático do futebol europeu.
A sua presença no meio-campo dava equilíbrio à equipa, permitindo tanto saídas de bola mais trabalhadas quanto transições rápidas para o ataque. Apesar de não ser um goleador nato (apenas 3 golos na temporada), a sua contribuição para o colectivo foi fundamental.
Por Trás da Camisola Número 10
A camisola que apresentamos hoje carrega consigo não apenas a história dos confrontos contra o Shakhtar, mas também o peso da tradição do número 10 no futebol. No Boavista da temporada 1997/1998, este número prestigioso foi confiado a Luís Carlos, reconhecendo-lhe capacidade técnica e visão de jogo.
O design do equipamento secundário daquela temporada é particularmente especial para os adeptos boavisteiros - a base branca com detalhes axadrezados em preto nas mangas, o colarinho preto com detalhes em xadrez, e o imponente emblema dourado do clube simbolizam um período de afirmação do Boavista no panorama nacional e europeu.

O Perfil de um Profissional
Além do seu talento com a bola, Luís Carlos destacou-se pela sua postura profissional. Na temporada 1997/1998 proveniente do SC Salgueiros, demonstrou ser um atleta disciplinado em campo. Embora tenha recebido alguns cartões amarelos ao longo da temporada, soube dosear a intensidade sem comprometer a equipa com expulsões.
Esta postura profissional, aliada à versatilidade técnica, fez dele uma peça importante do plantel, tanto actuando como titular (21 jogos) como a saltar do banco (9 jogos como suplente utilizado).
Contribuição para uma Temporada de Conquistas
A temporada 1997/1998 foi especial para o Boavista, com a conquista de mais uma Supertaça frente ao FC Porto (2-0), estabelecendo o tom para o que seria uma campanha de afirmação. Luís Carlos fez parte deste momento histórico assistindo para o primeiro golo de Ayew e com Timofte a marcar o segundo e a selar a vitória do Boavista FC.
Na Liga Portuguesa, o Boavista realizou uma campanha consistente, com o brasileiro contribuindo significativamente através das suas 24 aparições na competição levando a um sexto lugar, a 2 pontos do terceiro classificado. Os números totais de Luís Carlos na temporada impressionam:
- 30 jogos disputados no total (15 vitórias, 7 empates e 8 derrotas)
- 3 golos marcados (média de 0,10 golos por jogo)
- 21 vezes como titular
- 9 vezes como suplente utilizado
- 1820 minutos em campo
Legado no Xadrez e a Importância das Relíquias
A camisola número 10 de Luís Carlos dos jogos contra o Shakhtar representa mais que uma simples peça de vestuário desportivo - é um símbolo tangível da história do clube. Estas relíquias são fundamentais para manter viva a memória das gerações passadas e conectar os adeptos mais jovens com momentos importantes da trajetória axadrezada.
Luís Carlos representa bem aquela geração de jogadores que, sem grande badalação, foram essenciais para a construção do Boavista que, poucos anos depois, conquistaria o título nacional na temporada 2000/2001.
O seu profissionalismo, versatilidade e dedicação ao clube do Bessa fazem parte da história axadrezada e exemplificam a importante contribuição de jogadores brasileiros para o crescimento e internacionalização do Boavista FC.
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